Precious
January 30th, 2010Outro dia vi “Precious” um dos filmes com grandes expectativas de premiação agora em 2010, principalmente Mo’nique, que interpreta a mãe da personagem título (já ganhou o Globo de Ouro). Eu, que adoro um filme de superação, e quando baseado em uma história real mais ainda, estava ansiosíssima.
O bom é que antes de assistir li a resenha no Cinebuteco e assim consegui abaixar um pouco as minhas expectativas. Não entendam mal: o filme é muito, muito bom. Mas não muda a sua vida, entende? Talvez seu o maior mérito também seja o maior defeito: o espectador é colocado na mesma posição de todos os adultos do filme – mero espectador.
Porque é isso que os adultos fazem na trama: nada. Eles assistem. Mas pouco fazem para mudar a situação da protagonista, cuja vida é uma sucessão de tragédias – todas causadas pelos adultos que deveriam protegê-la. O pai, a mãe, os professores, a diretora da escola, quando não atrapalham, pouco ajudam. Até mesmo a personagem que teoricamente traz a mudança crucial na vida de Precious na verdade não faz quase nada, mesmo sabendo dos abusos que ela sofre. Ninguém se revolta, ninguém chama a polícia, não aparece no Datena (ou no caso, na Oprah, produtora do filme). Ninguém se importa. Nem ela mesma sabe quanto a situação é absurda e grotesca. Precious só aprende alguma coisa porque decide isso sozinha, e se livra da vida miserável sozinha também. Sempre sozinha.
Mas Precious além de mudar é diferente. Ela sai dessa inércia pelos seus filhos. Ela, criança, obesa, pobre, negra e sem consciência do mundo que a cerca, com uma infância deturpada, é a única que se levanta e defenda a si mesma. Se dependesse dos outros… não seria um filme de superação.
No final das contas fiquei com a sensação de que é um filme muito solitário. Claro que toda mudança tem que partir do interessado, mas eu acredito na influência que podemos ter, principalmente positivamente, na vida dos outros. E que os adultos devem olhar pelos mais jovens. Temos que nos chocar com as coisas, não aceitar. Eu acredito nisso. O filme não. E saber que a história é real torna tudo mais triste.
Enfim, um filme bom, um filme triste, um filme sobre a solidão e a força da mudança individual. Um filme de Oscar com toda certeza.
Mas… nada disso muda o quanto eu amei os cartazes do filme. Preciso descobrir quem bolou. Simplesmente genial, artístico mesmo. A imagem diz tudo:


E aqui o trailer. Claro, ainda tem o bônus de uma Mariah Carey sem gritinho e sem maquiagem, e um Lenny Kravitz sem chapinha (obrigada, senhor), se bem que ambos… bom, adultos, né? Já sabem. Não fazem a menor diferença no filme.
A vida é mesmo muito estranha. Um dia você tem um horizonte claro na sua frente. As coisas são fáceis de prever e tudo parece caminhar certo. Como eu disse, tive tudo que eu queria em 2009. Mas a verdade é que a gente sabe o que quer, mas não tem a me-nor idéia do que realmente precisa. Eu sempre soube disso, de algum jeito.
Calça Saruel. O horror.

















